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Distúrbio, ingenuidade ou uma procura desesperada por 15 minutos de fama?

Relutei muito em escrever ou não esse post, mas achei válido deixar aqui minha opinião registrada como muitos fizeram. Na semana passada, um outdoor simplesmente viralizou por toda região onde moro. Não deveria, mas foi o que aconteceu. Primeiro saiu a matéria num jornal impresso, depois na emissora de TV local, até que o assunto foi alavancado nacionalmente (de forma negativa), indignando inúmeras mulheres da minha cidade que se sentiram provocadas e até ofendidas – eu particularmente não. Esse caso veio a público em um programa de auditório em âmbito nacional.
Fiquei indiferente com a bizarra estória quando a li no jornal, mas de TANTO as pessoas comentarem sobre o episódio, acabei por assistir o vídeo do programa. Lá fui eu para o Youtube!

O outdoor em questão foi “obra” de Heron Guarezi, que segundo ele “cansado das MULHERES FEIAS de sua cidade” (e aparentando total desespero por atenção), pagou por um outdoor nas margens da BR-101 em uma cidade vizinha, com a intenção de “encontrar um relacionamento sério”. No outdoor, uma foto engraçada e as suas exigências: mulheres entre 18 e 35 anos, com seus telefones e e-mail para contato:

O “programão” em questão é o Programa do Gugu e nele surgia este catarinense: o tal do Heron, agricultor, com seus 30 e poucos anos, munido de um tique nervoso e visivelmente com problemas de comportamento a serem tratados. Foi nítido o tom de deboche do apresentador e sua equipe, ora ironizando, ora dando conselhos sentimentais ao convidado. Em frente às câmeras, Gugu, o apresentador conhecido por polemizar com mentiras e enganar o povo com manipulações (quem não se lembra da entrevista com o “PCC”, envolvendo José Luiz Datena e Marcelo Rezende?). Como se não bastasse toda bizarrice, vê-se claramente que a produção ORDENA uma menina que pergunte ao catarinense como ele era entre quatro paredes. No vídeo do programa ao vivo, ouve-se em alto e bom som, a menina próxima ao microfone, comentar com a assistente de palco “meu pai vai me matar”. No mínimo vergonhoso. É com certeza o excremento da nossa TV brasileira. No palco, acompanhado por Kelly Key, Gugu fez uma entrevista com o “solitário” homem, que além de não se expressar de forma clara, “é rico” (de acordo com ele próprio, exemplificando que já viajou daqui do sul para o nordeste). E de carro! Soltando ainda farpas preconceituosas sobre gordinhas e colocando nós mulheres, mais uma vez apenas como um pedaço de carne no açougue. Fora todas as outras baboseiras sobre nós, as mulheres da nossa cidade (sim, ele mora na minha cidade, Tubarão, que fica uns 144 km da nossa capital Florianópolis, sentido sul).

Mesmo não sendo tão longo o vídeo, não consegui assisti-lo até o fim. Simplesmente ridículo! Senti uma ponta de vergonha sim e assumo isso, não pelo besteirol todo de que as mulheres da minha cidade são feias – o que me incluiu – mas por ver mais uma vez tamanha ignorância ligada ao nome de nossa cidade. Que bela propaganda temos feito para o Brasil.

Heron, sinto muito lhe informar, você tem sérios problemas mentais, comportamentais e sociais. Eu poderia colocar aqui no blog todas as mulheres LINDAS que nossa cidade tem, provando que sua “tese” é uma furada. Mas acima de tudo, somos inteligentes e bem resolvidas. Seria perda de tempo. Pois são as mesmas mulheres que você já deve ter encontrado em um mercado qualquer ou até mesmo pelas ruas.

Porém, VOCÊ NÃO FAZ O TIPO DELAS. O que as atrai são homens inteligentes, com um bom papo, companheiro, educado, sensível e – porque não citar  –  bonito!

Desculpa, cara. Mas vejo que você não se enquadra nesse perfil.

Acho melhor você ir embora de Tubarão. Sério! Nossa cidade com tamanha ‘feiúra feminina’ vai cansar essa tua beleza exótica. Ainda acha mesmo que foi bom ir na TV falar essas besteiras? Que fez o seu agito com a mulherada? Será que algum ser acreditou mesmo na tua história de uma cidade de mulheres feias? É, ficou feio foi pro teu lado, cara. Te tornasse na piada da cidade!

Mas devo admitir; você conseguiu o que queria:

 

–  Você teve os seus 15 minutos (negativos) de fama. Literalmente.
Cuidado, post saudosista!

Apesar da evolução desenfreada da tecnologia nas últimas décadas, esse saudosismo piegas da nossa velha infância não é em vão. O pessoal na faixa dos 30/40 anos, sabe como ela foi inocente e o quanto a nossa rua foi divertida e um lugar constante de brincadeiras.

Não, nós não tivemos iPad, nem iPhone, sequer internet. Nesse quesito, vimos o surgimento dos primeiros computadores, aqueles com sistema MS-DOS que vinham com ‘Prince of Persia’, hahaha! E era animal na época. Música, em vinil ou fita K7. Vídeos, só em VHS. Portanto, nada de ir no site da Google e procurar links de downloads. Tradução de músicas em inglês? Esqueçam o “letras.mus.br”, pegue um dicionário e traduza frase por frase. Achou precário? De certo modo, era sim.

Porém, tínhamos algo valioso que hoje em dia torna-se cada vez mais raro na infância: um mundo inteiro dentro da nossa cabeça! A imaginação fazia toda a diversão. E como fazia! Criatividade era a palavra.

Não existia o vício chamado selfie. Foto era em família, em datas festivas, aquelas com todos os irmãos na frente de casa. E fazendo pose! Depois, uma baita ansiedade de não poder ver o resultado até a revelação do filme! O ‘pior’ é que sempre ficavam boas. Sei lá, amo fotografia analógica. Eram tempos em que a fotografia tinha um significado. Infelizmente hoje não existe mais. Jamais queríamos coisas caras, eu pelo menos não exigia presente algum. De todas as bonecas que tive, a que mais gostei, uma Emília de pano que minha mãe costurou fora a eleita. Inclusive, brinquedos quanto mais simples eram, melhores se tornavam. Mais exigiria da nossa imaginação.

Sofremos bullying no colégio todos os dias e ninguém se importava, nem usamos isso como desculpa pra sermos violentos como andam hoje em dia. Ostentação era ter lápis de cor da Faber-Castell. Quando nosso dente de leite amolecia, “o barbante e o trinco da porta do quarto” bastavam para arrancá-lo, depois era só jogar em cima do telhado e dizer “São João, São João: leva esse dente podre e traz um são”. Funda era arma branca de porte obrigatório na época. Nos engasgamos com as deliciosas balas soft. Malabarismos com iô-iôs da Coca-Cola. Tetris no Game Boy. MiniBits de lanche no recreio. Bolachinha recheada sabor goiaba enquanto passava Jaspion na TV. Hummm, picolé minissaia. Álbuns de figurinhas colados com cola caseira e o bafo comendo solto pra ganhar figurinhas extras dos amigos. Competição de quem tinha a bike mais ‘envenenada’ da rua, apenas com papelão ou tampa de margarina e um gancho de roupa entre os raios. Surgia a febre do patins inline. Revista em quadrinhos da Turma da Mônica. Tamagotchi. Eita!

Aí você pensa: “- Muito bonito e romântico. Ótimo ter uma rua inteira pra brincar. Mas, e quando chovia?” E eu respondo: “- Um excelente motivo pra pegar a coberta num dia chuvoso e correr para o sofá com um pote cheio de chips sabor esponja e dá-lhe TV!” A televisão era sem dúvida infinitamente melhor, havia mais qualidade na grade de programação e era muito mais divertido (e menos constrangedor) sentar no sofá com toda a família. Séries de super heróis japoneses, desenhos da época, séries sem NENHUM apelo sexual, filmes inesquecíveis da Sessão da Tarde que reprisavam pela enésima vez. Programas de clipes em canais abertos. Um sonho!

Rolavam também os jogos de tabuleiro, como o Ludo, que semeava a discórdia entre meus irmãos e eu! E por muitas vezes, nós, reunidos na sala com a nossa TV Telefunken de madeira e o Dismac VJ-9000 do meu irmão mais velho, competíamos arduamente. Eram horas e mais horas de “quem perde passa o controle pro outro”. Seus jogos e fases intermináveis como Pac-Man, Frostbite, Space Invaders, Plaque Attack, Pitfall, Snoopy, Moon Patrol, Smurfs, Post Man. Delícia de infância. Tive muita sorte de ser de uma família grande e poder brincar tanto, minha infância foi realmente MUITO divertida e inesquecível.

Enfim, éramos apenas crianças sendo crianças.

A infância é algo que passa rápido demais. Crianças, POR FAVOR, não tenham pressa de crescer.

Para finalizar, o clipe de uma música da nossa geração 90’s. Atenção, afastem as cadeiras porque essa música é extremamente contagiante:

Saudade — não à toa, ela é de longe a palavra mais presente nas poesias de amor da língua portuguesa e também na nossa música popular. “Saudade” descreve a mistura dos sentimentos de amor, perda, falta e distância.
Vem do latim “solitas, solitatis” (solidão).

E faz parte da vida sentir saudade. Uma palavra que carrega em si o peso de estar acompanhada na maioria da vezes, por uma dor lancinante. E desde criança, sentimos NA PELE o significado dessa palavra e temos de lidar com ela ao longo de toda nossa existência. Saudade é coisa “abrasileirada”, tem o nosso tempero, um sopro do que fomos e do que vivemos, do que sentimos, de brasileiro mesmo. Não existe em nenhuma outra língua uma tradução livre dessa palavra. É coisa verde e amarela, que faz samba no nosso coração. Saudade realmente é algo que me intriga muito.

Aquela saudade da qual temos o livre arbítrio de pôr ou não um fim nela, quando conseguimos revertê-la na presença da pessoa em questão é sempre deliciosa. É o combustível da vida! A ansiedade de reencontrá-la, mil planos feitos em pensamentos, as conversas fluindo, o ficar junto e pôr um fim nisso. Essa saudade é com certeza bastante tolerável, e de certo modo até prazerosa. Por outro lado, tem aquela que carrega um significado muito mais denso, como a de alguém que amamos e que teve de partir. E ficamos aqui, sem poder voltar no tempo para tê-las novamente em nossos braços e abraços. Sentindo uma saudade interminável de tudo o que ficou por viver desde o ponto em que ela se foi. Parece que a qualquer momento essa pessoa vai voltar e você vai ter que contar tudo o que aconteceu desde então. Ufa! Seria só risos, abraços, choros e papos sem fim!

Saudade é mesmo intrigante. Tão bom olhar para trás e sentir saudade, aquela saudade gostosa, que enche o peito de boas sensações, enche o nosso coração de positividade e amor. Que esvazia a mente, que dá paz de espírito.

Mas a vida é montanha-russa, um eterno sobe e desce, alternando bons e maus momentos. Nunca saberemos o dia de amanhã. E vai que, de um segundo para o outro tudo muda, e você perde algo de tão valioso que no dia de hoje é apenas “o presente” para você? Sentir saudades do passado é trivial, pensar nos planos futuros é necessário.. mas e o “aqui-e-agora”? Saudade diz tudo: já aconteceu, ou alguém já se foi. Que tal pôr em prática na vida a regra de viver pensando na saudade, mas pondo como um exemplo pra vivermos o nosso presente? E viva.

Acho que tenho até exagerado na dose de pensar na saudade. Mas sabe que tem me feito um bem danado? Tem que saber dosar e tomar cuidado, hoje acho que estou sabendo lidar melhor com ela. E a gente aprende a ser uma pessoa melhor, ou pelo menos tenta. Hoje não existe mais nem vestígio da Beatriz que eu era há 7 anos atrás. Ainda bem! E o que me moldou assim? A saudade.

Viva a família, os amigos, viva o próximo. Vamos tentar não precisar da saudade pra saber o que nos faz bem. Viva o amor e as pequenas coisas da vida.

(Um agradecimento em especial à minha mãe, dona Abgail – a minha mais doce saudade).

 

Beatriz Aguiar: catarina, casada, quase uma trintona. Vícios assumidos em nicotina, cervejas especiais, tatuagens, cafeína e Pink Floyd. Trata bicho como gente e “certa gente” como bicho. Tem como um filho, o quatro patas peludo mais lindo e louco desse universo, o Gilmour. Criou esse “treco online” pra esvaziar um pouco a mente já que às vezes isso é necessário. Falar sobre comportamento, fotografia, música, viagens (no verdadeiro sentido do verbo ‘viajar’) e mais outras mil variáveis que rondam o imaginário de uma quase balzaquiana.

Mas com certeza vai fazer aqui o que mais gosta: filosofar sobre a vida. Textos e mais textos. Apenas. E não, não vai rolar aqueles super tutoriais, muito menos posts duvidosos sobre marcas caras ou coisas do tipo, até porque pra ela menos sempre foi sinônimo de mais — e dinheiro não dá em árvore. Seria realmente uma péssima idéia repassar esse tipo de informação, já que a descrevem como “uma mulher com alma masculina” (apesar de saber costurar e pilotar um fogão, vai entender). Nas palavras de amigos mais próximos possui uma “sinceridade inconveniente”. Bizarro ou não, convive com isso há 29 anos. E sim, além de tudo isso ela ainda escreveu a postagem de estréia na terceira pessoa. E baseada na antiga lei ortográfica.

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