David Gilmour em Curitiba :: Show na Pedreira Paulo Leminski


Pegamos 3 ônibus, andamos a pé pela cidade, de táxi e um outro ônibus da organização até a pedreira. Lá, minha pressão baixou e passei mal a poucos instantes do show começar, ressuscitei (não sei como) e ficamos até o fim dele.
E querem saber? Passaria por tudo outra vez!

Foi corrido, dolorido, louco e surreal.

David Gilmour simplesmente brilhou feito um louco diamante em Curitiba.  E depois de quase 5 horas de espera, estávamos ali: frente a frente com o maior nome do Rock Progressivo.

Uma tarde quente do dia 14/12. Alguns desavisados poderiam achar que um tipo de Deus ou alguma outra entidade surgiria em meio a toda comoção de pessoas vindas de várias partes do Brasil ~ falei com pessoas de Belém do Pará e de Rondônia ~ em torno da capital paranaense. David Gilmour não é apenas um Deus para o rock, mesmo com toda sua progressividade e feeling imbatíveis. Ele é humano e dava de sentir sua humanidade e energia pulsarem por toda a pedreira. E isso é, de longe, o mais incrível que um ser humano possa ser: uma divindade. O sentimento que ele desperta nas pessoas é inenarrável, incompreensível. E se existe algo que posso afirmar para vocês é, QUANDO SURGIR A OPORTUNIDADE DE ASSISTIR DAVID GILMOUR DE PERTO, NÃO A PERCA POR NADA. Confiem no que digo, é uma experiência única na vida. E mesmo com o cansaço de horas à fio ouvindo as caixas de som tocando clássicos do rock e do reggae ~ sim, reggae! ~ o público só aumentava. E a ansiedade?

Com o sol ainda no céu, às 20h em ponto do dia 14 de dezembro de 2015, Curitiba vinha abaixo por conta da Pedreira Paulo Leminski. Não, não existe detonação de rochas por ali. Era aquela figura carismática e mística de cabelos brancos, caminhando vagarosamente pelo palco e sorrindo. Agradecia com olhar e acenos ao amor e ao esforço do público que estava ali. David com seus acordes, junto de sua doce e rouca voz no auge de seus quase 70 anos, era acompanhado por uma platéia ensandecida e totalmente comovida em meio à lagrimas, suor e redenção. E diante de uma sintonia única me surgia todo o sentido de estar ali.
As luzes e os efeitos, marcas registradas do espetáculo que ele oferece em seus shows há décadas, não deixaram a desejar. Uma banda com talentosos músicos veteranos: Phil Manzanera, Guy Pratt entre outros, explicitamente felizes por receberem um feedback tão intenso: gritos, palmas e choros. Uma coisa que só o brasileiro oferece.

No sax, João Mello, um jovem curitibano tímido e talentoso de 20 anos, tocando com um músico do calibre de David Gilmour. Sem jeito, João tentou traduzir algumas palavras a pedido de David, que nitidamente precisava se fazer entender diante dessa apaixonada plateia de 25 mil pessoas; unânime era a emoção e o êxtase, os mais loucos sentimentos que o inglês proporciona por onde passa. Para nós, seus fãs, olhar para o lado e percebermos que não somos os únicos a chorar, é algo mágico e inexplicável. Era como se todos ali sentissem com a mesma intensidade, o peso e a bagagem que aquelas notas possuíam. E elas seguiam ecoando em nosso corpo, rasgando nossa pele e iam de encontro com nossa alma, ao ponto de fazer nosso coração sangrar — então só mesmo as lágrimas pra nos acalentar.

Para David, pode ter parecido inacreditável nunca ter pisado antes em terras brasileiras, tamanho o amor e idolatria que toda a plateia demonstrou do início ao fim. Sem dúvida mérito todo dele, o resultado de uma sólida e dedicada carreira de quase meio século. Com seu jeitão inglês, Gilmour sorria e brincava com o público, soltando alguns “Obrigado, Curitiba” e se desculpando, porque seu português era muito “pobre”. No meio do show, já estava totalmente à vontade. Chamou o roadie Phil Taylor que estava de aniversário e que o acompanha há mais de 40 anos, pediu (e tocando na guitarra) um “happy birthday” para acompanharmos. O mestre mandou? Seus súditos atendem prontamente. Depois é claro, rolou o nosso famoso parabéns tupiniquim. Um lugar encantador, com pessoas mais apaixonadas por Dave a cada acorde que florescia de seus dedos — estes continuam impecáveis, obrigado sir!

Com um setlist incrível, começou com a lindíssima “5 A.M” do seu álbum novo, “Ratlle That Lock”. Sua primeira aparição foi ovacionada, arrancando sorrisos de Gilmour e de toda sua banda. Pra mim, um dos vários momentos emocionantes que me fizeram chorar. E depois de tudo isso houve chuva, raios e a pedreira continuava ali: emanando amor e alegria. Nada mais do que merecido: David Gilmour fez muita gente dançar, por vezes apaziguou o público com seus solos e voz aveludada, arrancando olhares desacreditados de um público que estava presenciando um show com tal magnitude. Todo momento eu olhava para o meu marido e ligeiramente voltava os olhos ao palco. Incrédula de estar o assistindo ali, de perto. Ao vivo!

Em dado momento quando a plateia ainda o aplaudia, ouviam-se os primeiros momentos de “Wish You Were Here” e então formou-se o primeiro grande coro da noite, com 25 mil apaixonados. E mesclando seus trabalhos novos e antigos, incluiu até a primórdia “Astronomy Domine”, que show de luzes e psicodelia! Outra que me arrancou suspiros e lágrimas, foi a belíssima “Coming Back to Life” do álbum The Division Bell. Quanta emoção! A jazzy “Girl in the Yellow Dress” foi acompanhada por balões que surgiram do meio do público e dançavam no ritmo da canção, simplesmente hipnotizante e mágico. Fazendo daquele momento, literalmente um sonho! Em mais um momento que me levou às lágrimas e logo com seus primeiros acordes, foi “Shine On You Crazy Diamond”, lavando a alma de todos da pedreira. Essa canção tenho registrada por inteira no meu celular e só se ouvem os meus gritos, hahaha! Quando Gilmour iniciou os trabalhos em “Run Like Hell” ~ com todos os lasers que a música merece ~ surgiram da plateia os cartazes com a palavra “RUN“, nesse instante olhei Guy Pratt — o baixista — e vi toda sua vibração! Polly Samson — escritora e esposa de Gilmour, postou em seu Instagram um agradecimento especial para o Fabiano,  um fã ardoroso, responsável por esses dois momentos de pura surpresa para o público, a banda e para David.

Dave, obrigada pela experiência vivida e dividida. Não adianta me prolongar, quem estava lá sabe do que estou falando, eu teria realmente muitas sensações para descrever e não conseguiria. Admito que até me faltava coragem para começar a escrever esse post por puro medo de não repassar a experiência exata que vivi.

Um agradecimento aos meus cunhados mega parceiros que nos receberam em Curitiba de braços abertos, Luana e Chayrlon, para a minha sogra, Susana, que nos acompanhou por todos os lados da capital e que conseguiu ir no show conosco no último instante. E ao meu marido que tão emocionado quanto eu, compartilhou mais essa grande experiência comigo. Sonho? Não amor, foi real! Espero ter uma nova oportunidade em um futuro próximo.

Continue brilhando, verdadeiro “louco diamante”. Hoje tenho a certeza de que você não vive à sombra do Pink Floyd, mas o Pink Floyd vive à sua sombra para continuar vivo no coração de todos nós.

Até breve, Dave. You rock! <3

Beatriz Aguiar
Sobre mim

Criadora e criatura do Since85. Tem o humor mais oscilante da internet, viciada em café, livros, rock e metal progressivo.

TALVEZ VOCÊ TAMBÉM GOSTE

Coisas que mais amo em você
8 coisas que mais amo em você ♥
June 21, 2017
Em cada novo ano um aprendizado - Since85
Em cada novo ano um aprendizado
June 16, 2017
126 mil vezes obrigada
126 mil vezes obrigada!
June 06, 2017
Chris Cornell
5x Chris Cornell
May 18, 2017
Um poema para minha mãe
Um poema para minha mãe
May 15, 2017
Não se culpe por dar-se um tempo Since85
Não se culpe por dar-se um tempo
May 04, 2017
As várias versões de mim
As várias versões de mim
March 17, 2017
Aniversário do blogSince85
731 dias de Since85. ♥
February 10, 2017
Guns N' Roses - Not In This Lifetime Tour - Curitiba
Guns N’ Roses :: Not In This Lifetime Tour :: Curitiba
December 07, 2016

Comentários via Facebook

7 Comentários

Lari Reis
Responder 17/12/2015

Gostei muito do seu relato, leve e completo!
Fico muito feliz que você tenha ressuscitado para viver essa experiência incrível, haha
Tenho certeza que é das que você nunca vai esquecer.
Vida longa ao rock n' roll! Vida longa a David Gilmour!

    Bia Aguiar
    Responder 18/12/2015

    Também fiquei feliz de ter ressuscitado. hahaha! Fiquei com muito medo na hora de perder o show, pois faltava apenas uns 15 minutos para começar, a sorte foi a bendita da água gelada na nuca e nos pulsos ~ e ter minha sogra e meu marido por perto! HHAHAHAHH
    Foi muito emocionante, Lari. Eu não conseguia acreditar no que meus olhos estavam vendo, e de tão perto! Chorei litros por causa desse coroa. ♥
    E com certeza, vida longa a David Gilmour, ao rock psicodélico e aos floydianos que estavam emocionados e quase morreram de tanta emoção! hahaha!
    Um beijo, linda.

    Bia

Camila Faria
Responder 18/12/2015

Nossa, sensacional! Imagino a emoção de ver o David Gilmour ao vivo. Eu vi um show do Roger Waters aqui no Rio e foi inesquecível também!

    Bia Aguiar
    Responder 18/12/2015

    Sensacional mesmo! Foi algo realmente inacreditável pra mim. Um misto de loucas sensações! Me emocionou e me fez chorar muito, porque além de mestre na guitarra, o cara ainda é uma simpatia e tem uma humildade tremenda. Se ele voltar no ano que vem, irei outra vez com toda a certeza! ♥
    Um beijo, Camila! Bom fim de semana.

    Bia

Simone
Responder 18/12/2015

Que lindo *.* eu não estava lá, mas suas palavras estão cheias de emoção. Sensacional ♥
www.charme-se.com

    Beatriz Aguiar
    Responder 21/12/2015

    Ele é um artista apaixonante.
    Talentoso, humilde e carismático. Foi foda! ♥
    Um beijo!

    Bia

Deixe um comentário

Seu e-mail não será publicado. Campos obrigatórios estão marcados *

comenta aí, vai!