NAS REDES

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Foto: Bia em 2008

Quem me conhece sabe que sou uma pessoa bastante intensa, sempre fui. Não é aos 31 anos que vou mudar algo que sempre tive como minha maior qualidade. Nunca fui de esconder sentimentos, de ninguém. Comigo é 8 ou 80, ou se é ou não se é. E paga-se um preço alto por ser diferente da grande maioria, pago um valor bem alto há anos inclusive. Sou do tipo de pessoa que quando ama faz tudo o que está ao alcance, mas quando deixa de amar é pra sempre. E nunca volto atrás.

Se é ruim ser assim? Talvez. Muitas vezes quis agir diferente, mas sou cheia de sentimentos, sofro duras penas por ser mais coração do que razão. A frieza nunca fez parte da minha personalidade. Apesar de quando não me conhecem e olham de fora essa casca que carrego comigo, logo imaginam uma pessoa totalmente diferente, “taí” a prova de que as aparências sempre enganam — e muito.

Intensa. Essa palavra sempre fez mesmo parte da minha vida, de modo torturante algumas vezes. Se é pra amar, amo da maneira mais intensa. Sofrer, que seja tão intenso quanto o amor que levo comigo. Acho que minhas bads da vida nunca duraram muito tempo. Num dia eu sofro e no dia seguinte já dei a volta por cima. Foi assim todas as vezes que ‘precisei’ sofrer pra aprender uma nova lição.

Mas creio que o meu erro nessa avalanche de sentimentos é cobrar que as outras pessoas sejam como eu. Continuo esperando das pessoas coisas que eu faria, apesar de me frustrar milhares de vezes ao longo da vida e hoje entender que não posso exigir a mesma intensidade.

Mas ainda assim, se eu pudesse dar um conselho, seria: SEJA UMA PESSOA INTENSA da maneira como a vida lhe pede. Ela é só uma! Ame o que tiver de amar, chore e sofra todas as suas angústias.

P.s: mesmo sabendo que conselhos nunca são seguidos.

Mas continuo intensa, como a vida deve ser.

Gostaria de agradecer ao José da Oasys Cultural. Muito obrigada pelo contato e carinho ao me enviar esse exemplar para resenhá-lo. Chegou em abril, porém haviam muitos outros na fila de leitura e somente agora pude publicar.
Arco de Virar Réu é o primeiro romance do escritor paranaense Antônio Cestaro, também presidente do selo Tordesilhas de literatura. Antes dele, Cestaro havia lançado outros dois livros com crônicas.

Título Original: Arco de Virar Réu
Gênero: Romance dramático
Autor: Antônio Cestaro
Editora: Tordesilhas
Páginas: 152
Ano: 2016
Onde encontrar: Travessa | Alaude | Submarino | Livaria da FolhaSaraiva | Amazon | Fnac

Resenha:

Arco de Virar Réu é o romance que narra em primeira pessoa toda a degradação da vida do protagonista. Desde o início dos anos 70 — tempos da adolescência e viagens da família, um pouco antes da separação dos pais. Traz uma história densa, não por tratar de um pai ausente mas retrata de modo próximo a esquizofrenia. O narrador e protagonista é um historiador que estuda a antropologia dos índios tupinambás. Nos relata de forma única a doença que acometeu o irmão caçula Pedro, quando o mesmo ainda estava na escola. Para desespero da mãe, dona Tereza, a doença o torna cada vez mais distante da realidade. É quando ele passa a falar — e discursar — coisas sem sentido algum. Até o dia em que seu sumiço mostra a necessidade de tratamento profissional.

Na sinopse, o livro é descrito como “uma narrativa labiríntica” e depois de ler pude compreender o significado. Mescla passado e cotidiano, floreado de palavras insólitas e frases incomuns aos olhos, acompanhadas por brados surrealistas. Alterna entre poesia, histórico familiar penoso, pesadelos devastadores e uma realidade totalmente paralela. Ufa. Ao ler, me perdi inúmeras vezes entre o rico vocabulário do escritor, não mais compreendendo o que era real ou fantasia. Concluí que o Arco de Virar Réu é para ser lido sozinho, no silêncio da sala de estar. Tive por vezes que reler uma página inteira, deixando a obra um pouco cansativa. O narrador se esforça o tempo todo para acreditarmos em sua lucidez diante dos desatinos do irmão mais novo. Mas o que é a sanidade, afinal? É a partir dessa questão principal que o livro todo se desenrola. Não se assuste se a cada nova leitura uma nova interpretação puder ser feita sobre, visto o tom opressivo da obra.

De início fica nítida a dificuldade do protagonista em lidar com a loucura, tentando fugir e evitá-la. Logo percebe que precisa ajudar a mãe e fica mais próximo do irmão. Talvez não perceba que ele enlouquece e precisa da família ou a família percebe isso antes dele, não fica muito claro. Admito que achei a leitura um pouco confusa, talvez pelo estilo de obra e as várias divagações. Quando temos apenas um ponto de vista (no caso da narrativa em primeira pessoa) o que está em torno do personagem se perde um pouco, na minha opinião.

O grande amor do protagonista, Carolina, estranhamente se afasta e depois concluímos que a loucura a afastou. O trecho incrível pra mim é de longe, quando podemos constatar que o protagonista percebe que algo está para acontecer: sua Carolina está estranha e seu primo Juca Bala que até então se interessava pelas histórias de Pedro passa a indagar sobre seus pesadelos. No próximo capítulo ele acorda em uma cama de hospital e o período em que esteve ali, pareciam horas. Mas é chocante quando você entra na história. Ele afirma que a irmã do meio, a Clara, entra pela porta para visitá-lo com a filha já crescida, sendo que apenas alguns capítulos anteriores contou da gravidez. Você nem percebe o tempo passar, assim como o próprio protagonista se perde com você. E isso é assustadoramente real.

Arco de Virar Réu - Antônio Cestaro

Considerações Finais:

Sobre a edição: impecável. Diagramação gostosa de ler, folhas diferenciadas, fontes legíveis e tamanho agradável. A arte alegre da capa é interessante e as cores chamam a atenção ao longe. Quando lia em um consultório, umas três pessoas vieram me perguntar sobre ele. Se eles soubessem a história… talvez as cores sobressaiam a confusão da arte em si.

Talvez por se tratar de problemas emocionais e conflitos familiares, achei o livro e a leitura ambos um pouco pesados pra mim. Mas friso que vale a leitura, principalmente quem se interessa por comportamento humano e inúmeras digressões. Fiquei mesmo com o coração apertado ao ler a história dessa família devastada pelo tempo.

Só uma coisa a dizer: Meus parabéns, Antônio Cestaro. Este livro é perturbador na medida certa.

E aí, gostou da resenha? Já leu também algum livro assustadoramente real?

Abraçasso.

YOUTUBE x BIA x BLOG: POLÊMICA

Calma, gente.

Antes que pensem “ela vai abandonar o blog pra virar vlogueira/youtuber — não gente, não vou. Eu sei que alguém deve ter sentido minha falta por aqui, pois sempre me mandam mensagens quando dou essas breves sumidas. Masssss, lhes adianto que foi por uma boa causa. Um bela causa, inclusive.

Finalmente criei vergonha na cara e gravei um primeiro vídeo pro canal do blog no Youtube, depois de tanta gente me encorajar. Não sabia disso? Foi ao ar na última sexta-feira, dia 15/07 e pode ser que em breve saia mais algum. É por esse mesmo motivo que eu quis dividir aqui com vocês, muitas pessoas frequentam o blog mas não o seguem nas redes sociais. Nem por isso deixam de merecer saber o que anda rolando de novo no Since85.

Então se joga. Corre lá, assista o primeiro vídeo e se inscreva no canal (AQUI!) para ser avisado futuramente sobre novos vídeos que rolar! Adianto que não vou seguir temas padrões, vai ter um pouco de tudo. Aquela mistureba básica bem conhecida aqui no blog, o canal vai ser uma extensão de quem criou e escreve esse cantinho: EU. hahaha!

Tô aqui esperando outros feedbacks sobre ele mas adianto que já estou super feliz e realizada com o tanto de gente bacana que apareceu me dizendo que gostaram e incentivando a gravar mais videozinhos marotos. Ah, antes que alguém diga “affê, como ela se preocupa com a opinião dos outros”: não, masssss é meio óbvio que quem faz conteúdo para o Youtube não faz apenas para si mesmo, não é?

 Segue o vídeo:

Deixo aqui um agradecimento especial para quem contribuiu diretamente para esse vídeo ir ao ar:

~ Meu marido, Deny, que editou e finalizou esse vídeo do jeitinho que eu queria;
~ Meu irmão, Leandro, que fez uma primeira edição de cortes nas imagens;
~ E a Pri, do Carioca do Interior que me indicou para essa TAG em vídeo.

Um abraçasso

RECADO DA BIA: Estreia do meu querido amigo Felipe Laurindo aqui no blog com a resenha do livro Anos de Tormenta. O Felipe é parceiro da banda do meu marido — juntos, tocam na banda de metal progressivo Odisseia. Vegetariano, professor, filósofo e bebedor de cervejas, tremendo baterista, um cara estranho mas gente boa. Impossível não criar uma empatia! Só não divulguei a colaboração antes por pura falta de tempo, mas boas novas estão vindo e tá corrido deixar tudo pronto. Amanhã tem novidade no Youtube, é só o que posso falar!

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Agora, com a palavra.. Felipe Laurindo:

Título Original: Shannon’s Way
Gênero: Romance
Autor: Archibald Joseph Cronin
Editora: José Olympio
Páginas: 298
Ano: 1948
Onde encontrar: O livro se encontra somente em sebos, você pode encontrá-lo na Estante Virtual onde reúne vários sebos que vendem esse título.

Resenha:

Com uma escrita afiada e dinâmica, Cronin nos apresenta os relatos de uma parte da vida de Robert Shannon. A narrativa em primeira pessoa destaca o que este jovem médico almeja em sua carreira e todos os empecilhos que a vida acaba colocando em seu caminho tortuoso. Tudo começa com uma bela introdução da sua rotina como um simples ajudante de certo departamento científico, onde tudo nos é descrito com esmero e paciência. A atmosfera mesquinha, o colega de trabalho que lhe é indiferente, o ajudante que nutre um ódio quase instintivo por Robert e seu chefe que se importa mais com o prestígio do que com a pesquisa científica em si; tudo faz parte de um contexto onde nosso querido personagem se sente preso pelas obrigações profissionais e sociais.

O desenvolvimento do personagem principal vai se tornando muito orgânico e honesto na medida em que vamos acompanhando suas mais variadas atitudes com relação a certos acontecimentos. Robert possui certa propensão a ser espontâneo e sincero, agindo muitas vezes de acordo com as emoções que lhe afloram. O belo contraste entre sua mentalidade racional, desenvolvida pelo exercício da ciência, e essa sua propensão a atitudes mais temperamentais e irrefletidas, faz com possamos nos deleitar com um personagem complexo e nada estereotipado.

A despeito de toda sua tentativa de autodomínio, Robert acaba traçando certos caminhos na sua vida, que se originam devido a sua falta de pudor e excesso de espontaneidade. Além de tudo, percebemos uma grande propensão à autocrítica por parte do personagem, juntamente com certo excesso de indulgência para com as atitudes mesquinhas das pessoas. Shannon é sempre muito severo para consigo e, em alguns momentos, se considera um crápula e indigno de qualquer benefício que a vida possa lhe proporcionar.

Vários elementos importantes tornam o ambiente do livro muito complexo. O autor nos relata o desenvolvimento do grande amor do personagem por uma jovem simples, religiosa e provinciana chamada Jean. Esta personagem enfrenta ao longo do livro, um embate entre suas velhas tradições e sua vontade de amar efusivamente. É nesse momento que Cronin nos mostra o quão repressor pode ser um sistema de educação baseado em preconceitos e obrigações religiosas. O autor nunca ataca feroz e covardemente a religião, mas pura e simplesmente nos mostra as frustrações que esta pode causar em certos indivíduos que possuem anseios diferentes e mais expansivos. Apesar disto, nos mostra a dose de hipocrisia e egoísmo que a vontade de impor certo virtuosismo religioso aos filhos pode ter.

Cronin desenvolve toda a complexidade de uma vida com uma narrativa simples. Ao final de tudo, é sobre isso que devemos refletir: a simplicidade. Isso porque, apesar de todas as suas ambições e anseios científicos, Robert só se sentiria completo ao lado de seu grande amor. Acredito que, ao findarmos o livro, é quase impossível não sentirmos certa sensação de purificação.

Anos de Tormenta

Considerações Finais:

É particularmente tocante a maneira como o amor entre os dois jovens, Robert e Jean, é desenvolvida. Tudo acontece naturalmente e sem afetação, nos mostrando um amor sincero e espontâneo. A maneira como é traçada a personagem Jean, com sua doce ingenuidade e falta de conhecimento da vida, faz com que fiquemos encantados.

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Abraços e ihe!

Fala, povo! Escrevi essa resenha quando o filme estreou nos cinemas (dia 16/06) e assisti semana passada com azamiga. #CinemaInteiroChorou, menos eu. HAHAH

Como Eu Era Antes de Você é o aclamado romance da escritora inglesa JoJo Moyes. É uma verdadeira lição de vida, fala sobre amor, compaixão, perdas e superação. A história gira em torno de dois opostos: Louisa Clark e Will Traynor. Ela, uma garota simples e acomodada com a vida que leva, feliz na pequena cidade turística e não carregando nenhuma ambição consigo. Ele é rico, inteligente, viajado, esportista e domina o mundo dos negócios como ninguém.

Título Original: Me Before You
Gênero: Romance
Autor: JoJo Moyes
Editora: Intrínseca
Páginas: 320
Ano: 2012
Onde encontrar: Saraiva | Livraria Cultura | Americanas

Resenha:

Quando o café em que Lou trabalha fecha as portas, ela se vê desempregada e logo sai em busca de outro emprego pois é uma ajuda importante com as contas da casa, junto de seus pais, sua irmã mais nova e seu sobrinho Thomas. Na procura, nenhum emprego se encaixa como um que apareceu: o de cuidadora por apenas seis meses. Atraída pela ótima renda mas ainda em dúvida quanto ao seu talento de cuidadora, ela decide tentar a vaga. A entrevista é mais que desastrosa — e engraçada — mas mesmo assim é contratada.

E não demora muito para Louisa e Will se encontrarem. O cargo, para cuidar de Will: há dois anos tetraplégico por conta de um atropelamento. Ao conhecê-lo, Lou se depara com um amargor e sarcasmo exagerados, típico de um homem que teve uma vida intensa ceifada e desde então vive isolado. Ele com o coração pesado, vê na mocinha motivos suficientes para fazer a vida dela ser bem difícil na casa adaptada, também frequentada por seu fiel escudeiro, o enfermeiro Nathan. A relação no início é desastrosa, com ironias, períodos de silêncio e muito desconforto para Lou. Ela detesta Will: ele é rude, grosseiro e não cede na convivência por mais que ela se dedique a contornar seu mau humor e ser prestativa fazendo chás.

No início do trabalho ela descobre algo perturbador de Will, uma decisão que levou sua mãe a contratar uma pessoa sem experiência alguma. Louisa é  a única esperança que eles tem para Will mudar de ideia e Lou vai tentar de tudo nestes seis meses que ela tem ao lado dele. No decorrer do livro, a relação entre Will e Lou torna-se importante para a vida dele e não muito diferente, para a vida dela também. Um acaba se tornando essencial na vida do outro. Lou é simples e mostra a Will coisas que ele não conhecia mais, como voltar a sorrir — e rir de coisas bobas da vida. Ela é divertida, se veste com roupas e sapatos de gostos duvidosos, mas é carinhosa e atenciosa na sua rotina como cuidadora. Will é inteligente, gosta de filme cult e ensina uma porção de coisas novas para a humilde Lou, como incentivá-la a conhecer um mundo novo, para que se arrisque mais e vá além do que ela deseja pra si.

E dia após dia, ele realmente mostra que ela pode tudo o que ela quiser, principalmente mudar sua vida simplista e confiar mais em si mesma. A sensação é de que eles realmente se completaram e juntos vão se divertir muito e surpreender nós leitores, com as experiências que terão. Na história existem outros personagens importantes: temos os pais de Lou, Bernard e Josie; a irmã Treena; Patrick o namorado esportista; Nathan o enfermeiro e os pais de Will, a juíza Camilla Traynor e Steven Traynor. Lou namora Patrick? Sim, o cara demonstra se preocupar mais com as calorias que ingere ao dia do que com ela, mas tudo bem. Como numa libertação diante de reviravoltas e uma séria discussão, eles terminam o relacionamento.

Ela sente urgência em ajudar Will e não abre mão disso — na verdade, ela bem já sabe que está apaixonada por Will e precisa correr contra o tempo que está acabando. O emocionante é justamente isso: Lou totalmente envolvida por Will, lutando contra o relógio para tentar mudar a vida dele e salvá-lo de si mesmo, fazendo-o desistir do caminho que ele próprio escolheu. Aviso que criei uma empatia instantânea pelos personagens, todos são muito bem construídos emocionalmente. Sobre o desfecho, pra mim não foi surpreendente visto o burburinho em torno do livro. Mas a mensagem final é linda, do tipo que TODO SER HUMANO DEVERIA LER.

Como eu era antes de voce - JoJo Moyes - blogsince85

Considerações Finais:

O livro não é “apenas” drama e romance, tem uma boa pitada de comédia no meio também. Podemos dar algumas risadas com trechos em que Lou cria programas diferentes para ela e Will apreciarem juntos. Afinal, qual a graça em ter uma protagonista que não fosse tão estabanada?! Acho que deu a leveza da qual o livro precisava. Enfim, é uma belíssima história. As últimas quarenta páginas são pra lá de emocionantes mas apesar disso, não chorei como várias pessoas por aí descreveram. Tá bom, assumo que li essas páginas com o coração nas mãos com o que estava para acontecer, foi tocante. Mas só.

Como Eu Era Antes de Você é o tipo de livro que você vai ler sem parar e querer logo chegar na página seguinte pra saber o que mais vai acontecer de tão incrível e bem escrito. Sem contar que é inteirinho um soco na nossa cara, nos faz repensar uma porrada de coisas sobre a vida. É emocionante, alegre, triste: como a vida real. Você vai tê-lo como um de seus favoritos com toda certeza, se curtir um bom drama/romance. Espero que muitas outras pessoas deixem de lado o lance “ai todo mundo gosta, que saco” e leiam, Will e Lou tem muito a nos ensinar.

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Bom, vou deixar o trailer do filme — que foi bem produzido e fiel ao livro. Sugiro que leia primeiro e depois assista, ou bem provável caso você assista o filme antes, vai querer ler depois. Como azamigas que foram no cinema comigo (um beijo, Jé e Pri ♥). Quem sabe pode rolar uma resenha do filme também e um post só de quotes porque sim.

Já leu o livro? E sobre o filme, assistiu?

Sete anos. Eu sei que não é nada original começar uma publicação como essa dizendo que sete anos não são sete dias, nem sete meses e blablablá. Mas pô, são sete anos. Já. O louco é no mesmo instante em que tudo parece ser tão recente pelos sentimentos ainda desmesurados, tudo vivido mostra pra ambos que faz mesmo um bom tempo desde que somamos nossas vidas — dividi-las, jamais. Isso significa muitas histórias, muita coisa que se passou, inúmeras lembranças juntos desde aquele vinte e um de junho. Bem da verdade, temos lembranças antes dessa noite em especial, já era o destino enviando sinais. Assumo publicamente que me tornei uma pessoa melhor de 2009 pra cá por culpa dele, afinal, são sete anos juntos desde aquela noite. Ca-ram-ba.

Quando criança, não entendia muito os porquês da minha mãe sempre contar da primeira vez que viu o meu pai. Mas eu adorava escutar, algumas vezes eu mesma perguntava só para ouvi-la. E ela sempre repetia as falas, lembrava do lugar, da temperatura que fazia no dia, a hora e até a roupa que o meu pai usava. Nunca se cansava, sempre com o mesmo sorriso e brilho no olhar quando mais uma vez me contava como se conheceram. Isso era pra ela, provavelmente, uma espécie de bálsamo para o seu coração, recordar o início lhe dava prazer. Era nítido.

Hoje entendo, totalmente. É gostoso ver que o tempo passa e os sentimentos continuam tão acesos no coração.

A primeira vez que o vi não estava sozinha, nem ele. Não foi romântico. Não teve malícia. Sequer uma palavra trocada. Apenas senti o meu peito tomado por um sentimento estranho, eu não o conhecia mas não conseguia parar de olhá-lo depois que passou por mim. E relembrando bem agora, foi algo tão diferente e novo dentro de mim. O meu coração talvez tenha se apaixonado naquele instante e eu só descobri seis meses depois. Esse danado do meu coração já me dizia algo naquele momento, a minha atenção foi todinha daquele cara no meio de tantas outras pessoas. Isso, há quase oito anos atrás. Mas lembro em detalhes o que senti e até como ele tava vestido, do clima do dia. Só que nunca naquela tarde, eu imaginaria aquele garoto como meu marido um dia. Minto, talvez o meu coração já sabia e a cabeça, era lerda demais pra entender o que só o coração previa.

Depois de alguns meses e encontros aleatórios por conta de amigos em comum, até rolou um episódio bastante engraçado dias antes, acabamos juntos num domingo à noite. Foi quando tudo começo, mas quem esperava por isso? Ninguém. Mas coração não se engana! O incrível é que nós não precisamos fazer nada além do nosso alcance, apenas era pra ser e foi o que aconteceu. Nosso destino fez todo o trabalho sozinho, isso foi o mais foda do início da nossa estória, o destino traçado há tempo e a gente nem sabia disso. Ou sabia. Mas o destino… esse deu o seu jeito, nos levou, um até o outro. E naquele domingo, seis meses depois daquele primeiro encontro, ele teve a iniciativa — ou quase isso: tímido, meio atrapalhado, perfeito. O destino já havia preparado tudo para nunca mais desgrudarmos um do outro. E ainda sinto o gosto do primeiro beijo na minha boca, até hoje.

Sei que vou recontar a nossa história milhares de vezes, e isso quer dizer muito mais do que já recontei até hoje. A verdade é que vou cansar nossos filhos e netos contando essa nossa estória, a história que era pra ter acontecido. Que felicidade poder viver ao teu lado por esses anos, quero mais, muito mais. Tenho muito orgulho da gente, do nosso sentimento e de toda a nossa descoberta da vida à dois.

E eu me encontrei.
Há sete anos.

O meu abraço hoje é todo dele. Te amo, Deny.

“Ontem dia 13/06, fiz 31 anos. Olha que doideira, dia 13 fiz 31. Poxa, 31 anos. Caramba.
Não que eu me sinta como se ainda tivesse 15 ou 20 anos, longe disso, mas é que a vida passa voando, cara. Sério. Parece papo de tiozinho mas não é, não. Eu olho para a foto do post e lembro exatamente do meu irmão falando “faz assim com a mão, ó” e foi tipo, ontem. E ainda “ontem” existia o receio do primeiro dia de aula, a praia todo fim de semana no inverno com meus pais e brincar de taco com meus irmãos, os ciúmes da minha irmã e por isso rasgar o pôster dela do grupo Dominó. Parece ontem que estreava o filme “Esqueceram de Mim” na TV, que passava Família Dinossauros e Simpsons na Globo domingo à noite.

Aos poucos a vida foi mudando, os anseios e os pensamentos também. Quando criança, era apenas uma moleca que gostava de jogar videogame e bola, sempre com um rabo de cavalo na nuca e tornozeleira. Vivia brigando com colegas na escola, enfrentando professor, putz. Gostava de ser revoltada e queria manter essa pose, acho que era a minha defesa. Quantas vezes fui pra diretoria! Conversava a aula toda com os amigos na sala. Moletom amarrado na cintura, calça, camiseta e all star. Tá bom, certas coisas não mudaram tanto, mas se comparar uma foto minha com aquele tempo vão ver que muito mudei. E não falo fisicamente.

A adolescência veio um pouco tarde pra mim, só aos meus 17 anos comecei — bem raramente — a sair de casa. Tinha hora pra chegar, sair só com os irmãos ou amigos conhecidos dos meus pais. Normalmente segurava vela, era aquela amiga que ficava cuidando pra ver se vinha alguém e o casal assim ficar em paz. HAHAHAH, #sdds adolescência 90/2000. Quantas amigas minhas “me deixaram para trás” nesse tempo. E assim foi, uma a uma encontrando um namorado pra chamar de seu. Eu, desapegada de demonstrações de afeto e telha pra isso, acabei ficando solteira e as amizades também foram aos poucos mudando.

Com os meus 18 anos veio a sonhada liberdade e a primeira moto, as saídas com as amigas eram mais frequentes. E não tinha chuva, frio e nem ventania que me deixasse trancafiada em casa. Aos 19 o primeiro carro e aí não parei mais, um pouquinho mais rebelde, uma boa caranga e aprontei várias. Andei com uma penca de gente, gente de tudo quanto é tipo. Gente boa, gente que não prestava, gente legal, gente que não valia um centavo furado, gente que era fiel a mim, gente que me apunhalou na primeira oportunidade. Fiz meus pais se descabelarem nessa época. Mas na medida que a idade foi passando, a mente foi acalmando e ganhando um pouquinho de sabedoria, daquela que só com o tempo e algumas faces quebradas a gente adquire.

E depois de tudo isso, me apaixonei e finalmente conheci o “tal do amor”, encontrei alguém pra mim, que encaixou daquele jeito maroto. Foi quando encontrei alguém que perdi minha mãe, a pessoa do coração mais puro que já conheci. E assim caí, do alto de um prédio de 40 andares, de cabeça. Perdi o meu chão. Meus pais diziam que namorando eu havia amadurecido e me tornado uma pessoa mais calma e consequentemente melhor, mas eu não acredito muito. Era corujisse deles. Acho que só aprendi certas coisas da vida adulta vivendo sem minha mãe, com esse choque de realidade. Tive que me virar com as minhas coisas, cuidar do que ela sempre cuidava pra mim. Acho que o maior aprendizado foi que as pessoas que amamos não vivem pra sempre e mesmo quando elas não querem, elas partem da nossa vida e não voltam mais. E cara, isso me deu um jab de direita bonito. Cá entre nós, desde então me espelho nela pra viver, não carrego todos os sentimentos nobres dela, mas costurar, cozinhar, o meu relacionamento com o meu marido.. tudo faz parte desse espelho. Não tê-la aqui me fez querer ser cada vez mais semelhante à ela. Pra me confortar um pouco, talvez. E depois do luto, dei mais um passo e casei.

É.. parando pra pensar foi coisa pra caramba que eu vivi.

Olhando para trás ao longo desses 31 anos, sofri, chorei, sorri e amei. Fui feliz, fui triste. E não mudaria nada na minha história, não me envergonho das porradas que dei e que levei da vida. Tenho muito orgulho da minha origem e o maior aprendizado dela é que minha família passou a ser muito mais importante do que eu imaginava ser quando criança. Acho até que envelheci com qualidade, chegar aos 31 anos um pouco amadurecida, hoje em dia, não é pra todo mundo.

Hoje com alguns vários fios brancos na cabeça, entendo os valores da minha mãe. Sabe esses fios brancos, a nossa casca, tudo vira pó. A essência, esta sim vai fazer história uns bons anos adiante mesmo quando você não estiver mais aqui. Eu envelheci mesmo, continuo envelhecendo sem parar, você também. Mas lembre que a nossa alma, essa sim precisa do maior cuidado.”

P.s: Quero agradecer ao meu marido, meu pai, minha sogra, meus irmãos e meu afilhadinho lindo que passaram o dia de ontem comigo. P.s²: Gratidão a todos os que tiraram um minuto do seu dia pra me deixar uma palavra de carinho. P.s³: Quando o seu filho for revoltado na infância e adolescência, não se desespere, ainda há uma esperança para ele.

Um abraçasso da segunda idade.

foto: meu aniversário de 8 anos, em 1993 (minha mãe ali no cantinho)

Fiz um bolo. Mas não foi um bolo qualquer, não. É um bolo com aquele gostinho especial da infância, com sabor de aconchego de mãe. Passaram-se seis anos e dois meses desde a última vez que eu havia comido um último pedaço desse bolo. Falei pro meu marido e para os meus irmãos por anos seguidos: “não acredito que não peguei aquela receita com ela.” E que falta me fez o gosto dele por todos esses anos — perdido dentre todas as outras coisas que não tenho mais como preencher em minha vida.

Minha mãe sempre fazia esse bolo pro café da tarde, todos aqui em casa adoravam. Por esse motivo ela fez tanto, mas tanto, que às vezes sobrava até um último pedacinho esquecido na assadeira, sabe? Mas olha, comê-lo seis anos depois me renovou, me acalentou e você nem pode imaginar o quanto. O cheiro espalhado pela cozinha, a textura toda diferentona dele, o sabor. Voltei no tempo, para aqueles bons tempos.

Minha mãe sempre foi uma cozinheira de mão cheia, até os enormes bolos de aniversário com massa de pão de ló regada com guaraná (como esse aí da foto) ela fazia. Sabia que não era tarefa fácil tentar reproduzir o pão de pão dela. Tentei uma vez antes — semana passada — adaptando e unindo duas receitas que encontrei pela internet, mas não deu muito certo, ficou doce demais, mole demais. Então na segunda vez, mudei aqui e ali na minha receita e voilà: EU EMOCIONADA ~literalmente ~ COMENDO O FAMOSO PÃO DE PÃO DA MINHA MÃE. ♥

Na minha cabeça, tocava “we are the champions” ao saboreá-lo mas admito que ainda não cheguei na perfeição da receita. Tô quase lá e isso me fez tão feliz, mas tão feliz — a ponto de dividir em rede social e afirmei na postagem que com certeza havia o dedo dela nisso. Foi através de um comentário (gratidão, Michele) que pensei em dividir aqui no blog também essa senhora felicidade. Ela falou que havia ficado feliz por mim, pois são as coisas simples da vida que trazem a felicidade que o mundo almeja. Verdade, estas são pequenas coisas grandiosas, que muitas vezes passam despercebidas diante da loucura e das grandes ambições da vida.

Eu realmente pensava que nunca mais comeria esse “pão de pão” da minha mãe que tanto lembra minha infância e era feito somente pelas mãozinhas dela, com aquele amor que só a mãe da gente coloca em uma receita. Porque só o amor mesmo pra transformar pães dormidos em algo tão gostoso, tão gostoso que nunca saiu o gosto da minha boca. Lembrava dele sempre.

Como em cena de filme, bem no momento em que comi a primeira fatia, começou a tocar God do Lennon e isso me emocionou muito, de uma maneira única que não vou conseguir explicar. O sabor junto dessa canção me encheram os olhos e o coração de amor. Aquele amor de mãe. É como se por alguns instantes sentisse ela ainda mais perto de mim, quase que fisicamente comigo, o sabor na minha boca foi um afago dela na minha alma. E eu pude sorrir, sorrir como antigamente.

Felicidade é isso. E mais uma vez minha mãe me mostrou que ela está na simplicidade.

Que presente maravilhoso de aniversário. Muito obrigada, mãe.

Receber esse livro da editora Belas-Letras foi uma grata surpresa pra mim. Mais uma vez, a diagramação e o conteúdo simplesmente impecáveis, assim como o livro do Sensacionalista lançado em abril passado. O design de A Mulher Incrível por si só seria uma obra de arte, mas lê-lo do início ao fim só me confirmou a obra primorosa e encantadora que é esta nova publicação. Se ainda não ouviu falar sobre o livro, conheça um pouco agora!

Título Original: A Mulher Incrível
Gênero: Contos & Crônicas
Autor: Alexandre Petillo
Editora: Belas-Letras
Páginas: 127
Ano: 2016
Onde encontrar: Saraiva | Extra

Sinopse: Existem alguns tipos de mulheres que você vai encontrar na vida. Têm aquelas que te fazem enlouquecer por uma noite. Têm aquelas que vão chegar e vão te fazer esquecer todas as outras. Têm também aquelas que você acredita que quer passar a vida toda ao lado delas. E, ainda, aquelas que você realmente vai ter certeza que vai passar a vida toda lado a lado. E têm as mulheres incríveis. É sobre essas mulheres que Alexandre Petillo escreve seus textos, que viralizaram nas redes sociais, com centenas de milhares de compartilhamentos a cada nova história.

"Quero mais. Quero viver. Quero as manhãs, ela fumando um cigarro no meu ombro. Quero o que ela quiser me dar."

Resenha

Nos perdemos no mundo de Alexandre Petillo, um mundo de verdadeira adoração à figura da mulher — ou no seu caso, das mulheres. É assim que você vai se sentir ao ler o livro. Ele fala abertamente e sem firulas de seus vários amores e desamores, praticamente um diário publicado. Algumas vezes caímos na dúvida se um texto ou crônica em tons de desabafo realmente aconteceu ou é apenas algum incrível devaneio criativo do escritor. Com uma pegada bem cotidiana esmiuçada em detalhes, o livro apresenta uma escrita nenhum pouco cansativa, marcante e bastante descritiva com cenários e personagens quase palpáveis. Petillo consegue nos envolver com sua musicalidade, poesia e cinema. As inspirações de sua escrita nos enchem os olhos ao mesmo tempo em que nos esvazia quando outra “mulher incrível” some durante a jornada do ‘mocinho-nem-tão-mocinho-assim’. Em alguns momentos conseguimos sentir uma certa compaixão pelo autor, como quando desabafa a loucura que fez por uma ex-namorada (e foi uma baita loucura mesmo!). É no texto Minha Maior Loucura de Amor, onde recebeu indiferença dessa incrível mulher que ele havia perdido mas queria reconquistar à todo custo. O trecho é inclusive, um dos meus favoritos. Carregado do melhor ingrediente: um amor não mais correspondido. O triste e poético de tudo isso é Petillo em meio à sua loucura, reconhecer que sua atitude não fazia sentido e assumindo ter seguido seu coração e esquecendo totalmente a razão (como todo ser humano faz). Petillo é isso. É humano, gente como a gente. O que seria da poesia se não existisse a loucura e a tristeza?
Com muito rock n’ roll (que tanto amo), munido de Beatles e Patti Smith, na companhia de James Bond, Bruce Springsteen e Leonard Cohen, com suas cervejas e seu inseparável cigarro, Alexandre nos traz um achado em forma de livro. Dá vontade de sentar numa mesa de algum boteco e ouvir suas histórias. E acreditar nelas — ou não.

trecho de "Minha Maior Loucura de Amor"

"Era final de 2010 e Paul McCartney encerrava seu show com a clássica The End, eu já tinha me debulhado em lágrimas. Beatles é a banda da minha vida. Nunca tinha visto um show de algum beatle, aquele era um momento emocionante demais. Para completar, eu tinha acabado de levar um pé na bunda da mulher que eu acreditava ser o amor da minha vida."

Livro A Mulher Incrível
Um dos meus textos favoritos do livro.

"Ela queria só sentir, eu queria dizer. Justo eu, que sou calado. Queria te dizer que se você precisar de um amor, eu sou o seu homem. Se quiser só um amante, eu faço tudo que você me pedir."

"Era tarde de domingo, esse que é o dia mais melancólico. Você precisa de um esforço para não se esconder do mundo. E aí vem ela. Que me seduz só com a possibilidade de uma imagem. Que me conquista só com a aparição de seu nome."

Considerações finais:

Como vocês mesmos podem ver, o livro é todo lindo. Adorei. Simplesmente adorei do início ao fim. É essencial para pessoas como eu, que curtem romantismo e boas histórias. O tipo do livro que dá vontade de sair escrevendo crônicas sobre amores e seus desamores! Devido destaque para meus textos favoritos: I’m Your Man, Ela O Verbo, Sempre Teremos a Eternidade, Minha Maior Loucura de Amor e Stay. Dá gosto de ler o Petillo, de tão humano quanto a gente é no nosso cotidiano. Fora o preço do livro que tá uma lindeza perto dessa maravilhosa obra!

E aí, ficou curioso pra ler um pouco do Alexandre Petillo? Já conhecia o autor?

Abraçasso

O frio se arrasta pelas ruas enquanto bate o queixo e esfrega as mãos. Ali perto, uma varanda consegue mantê-lo afastado. Não que eles não gostassem do frio ~ afinal, ele era uma bela desculpa. Abraçados com o corpo colado para aquecerem um ao outro, sorrisos escapam enquanto brindam vinho barato. Para eles dois, o melhor vinho de todos. Ah, tampouco importa! Mãos, cheiros, lábios, dois corpos e um desejo mútuo, o mais secreto de todos. Com o rosto em chamas e o coração clamando por mais, ela sorri como se nada mais importasse. E ele, ainda não acredita que está mesmo corpo à corpo colado nela. Quem um dia imaginaria? Para ambos naquele instante, o amanhã não existia. Literalmente relativo, talvez o frio tenha congelado as horas. E assim, se perdiam no tempo de uma quarta à noite. Aquela, dos enamorados.

Durante o perigoso jogo que se dispuseram a jogar, pausa para mais um gole de vinho. Mas… e se a garrafa acabar? Álcool + amor: a mistura perfeita pra manter o frio do lado de fora dessas duas almas que se encontraram. E bebem até a última gota, dane-se a dor de cabeça amanhã. Pausa para o cigarro. Tanto faz. Uma tortura deliciosa com gosto de uva rola solta entre eles. O medo do amor já não existe, eles se completaram de forma única e se entregam drasticamente ao sentimento ainda desconhecido: doce e suave, porém embriagador como o vinho que ainda aguça o paladar. Um compreende a loucura do outro como nunca visto antes por nenhum dos dois.

Os corpos já não querem a distância e os corações não se separam desde aquele primeiro beijo, talvez eles ainda nem perceberam isso. Depois de uma dança de total entrega, como dois amantes, caem num sono profundo e acolhedor dividindo a pequena cama. E eles adoram. Quanto menor a cama, mais pele com pele.

— Acorda, são duas da manhã.

A fumaça do cigarro paira no quarto. Eles sentem que não tem como adiar: é a hora da despedida. E que dolorida, angustiante, de congelar qualquer coração. Não é exagero dizer, culpa desses dois corações que não querem mais se afastar. O carro dela vai embora e some no breu da madrugada. A danada da solidão toma conta da cama dele com o aroma ainda quente dos dois corpos nus.

Mas calma, coração. Sexta começa tudo outra vez.

crônica por
Beatriz Aguiar

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